Achados de entrevista têm uma fraqueza conhecida: convencem, mas são difíceis de medir. Times de produto, com razão, perguntam quanto aquilo vale antes de mudar o roadmap. Minha resposta é transformar o achado em hipótese testável.
Do achado à hipótese
Na Gameram, transformei achados de entrevistas em testes A/B. O que as pessoas contavam virava uma hipótese: se a entrevista mostra o que trava o caminho, mudar esse ponto deve mudar o comportamento medido.
Um desses testes aumentou a conversão em 30%.
O teste não substitui a entrevista. A entrevista diz o que testar e por quê. O teste diz quanto.
Quando o número vem antes
O caminho inverso também funciona. Depois do lançamento do modo escuro, os dados mostravam que muita gente seguia no tema claro. Nas entrevistas com usuários ativos e novos, o design funcionou bem. O problema era outro: muitas pessoas não sabiam que podiam trocar o tema.
Um survey com cerca de 650 usuários confirmou: 74% de quem conhecia a opção usava o modo escuro, contra 54% de quem não conhecia. Os dados mostravam o resultado. A pesquisa explicou o motivo. Leia o case completo.
O que eu levo disso
- Escrever o achado como hipótese. “Se mudarmos isto, esperamos ver aquilo” deixa claro o que medir.
- Deixar a entrevista escolher o teste. Testar o que as pessoas disseram que trava custa menos que testar tudo.
- Voltar às pessoas quando o número surpreende. Um resultado inesperado é uma pergunta nova de pesquisa.
Insight bom vira experimento. E experimento bom volta para a pesquisa.
Alguns detalhes foram omitidos por confidencialidade.